quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Relatório sobre Ambiente - Angola

“Relatório sobre ambiente será apresentado hoje.
O Ministério do Urbanismo e Ambiente (MINUA), vai apresentar, hoje, às 10 horas, no Hotel Trópico, em Luanda, o Relatório sobre o Estado Geral do Ambiente em Angola, um documento que espelha os principais problemas ambientais no país.
Segundo uma nota de imprensa deste organismo governamental chegado à Angop, a apresentação deste documento afigura-se numa das principais actividades alusivas ao Dia Nacional do Ambiente, a assinalar-se amanhã, dia 31.
O documento, elaborado nos últimos dois anos com o apoio do Banco Africano de Desenvolvimento, identifica os desafios relacionados com a gestão ambiental em Angola, fornece informações de base para estudos mais profundos e representa uma ferramenta fundamental de apoio à decisão política.
Faz ainda uma análise da situação ambiental no país com base numa série de indicadores ambientais, dos quais se destacam os solos, água, biodiversidade, ar, resíduos e ruído, bem como uma descrição da evolução social para destacar a relação entre o desenvolvimento económico e a protecção do ambiente.
Consta ainda de um programa de investimento ambiental do Banco de Desenvolvimento Africano, do qual resultam também a elaboração de vários projectos ambientais. Dos mesmos, se destacam a criação de um banco de dados de indicadores ambientais, o reforço da capacidade institucional para a preservação do ambiente, a elaboração de um plano nacional de desenvolvimento do uso da terra, assim como projectos de gestão comunitária de recursos naturais.”

[Publicado no Jornal de Angola 2007.01.30]

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

COLIBRI



Para se ouvir a musica terá que se clicar no Play e aguardar um pouco pelo carregamento da música. (depende da velocidade da vossa ligação).

Um grande abraço para todos

Filipe Francisco, eco-arq.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Último relatório Estado do Mundo 2007:
O nosso futuro urbano, apresentado pelo Worldwatch Institute, cujas constatações são em resumo: "Com 0,4% da área do planeta, cidades emitem 75% dos gases que resultam no efeito estufa. Em algum momento de 2008, a humanidade ultrapassará uma barreira histórica: pela primeira vez mais pessoas viverão em zonas urbanas do que rurais. O marco é um lembrete de que as cidades precisam se adaptar a esta realidade e repensar sua estrutura e funcionalidade, ou o planeta não dará conta de alimentá-las. O Instituto Worldwatch, com sede em Washington, nos Estados Unidos, mostra o tamanho do problema em seu relatório Estado do Mundo 2007: Nosso futuro urbano. Hoje as cidades ocupam apenas 0,4% da superfície do planeta. Não obstante, são responsáveis pela emissão direta e indireta de 75% dos gases do efeito estufa. "Cidades que não mudarem em dez anos enfrentarão um desastre", diz o arquiteto Jaime Lerner, ex-governador do Paraná, que escreveu um prefácio do relatório" OESP, 11/1, Vida, p.A14.O relatório está disponível para aquisição no sítio do Worldwatch. Como não faço compras em sítios de outros países, não tenho como disponibilizar as informações para o acesso de todos da Esteira. Mas é provável que alguém do nosso grupo possa fazê-lo. Acredito que a análise de tais dados poderá nos ajudar a pensar o caso Luanda e tantos outros, em especial os localizados na tal zona dos "... Em Desenvolvimento".
Abraços fraternos aos irmãos e irmãs da Esteira do Ambiente.

Maria José Aquino.

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Caros Colibris

A Anamed (Acção para a medicina natural) que previra inicialmente a realização de um seminário no Kuíto, como informei anteriormente, prevê agora essas acções no Kuíto ou no Huambo, como poderão confirmar no documento que junto envio.









Anamed - Action for Natural Medicine
Anamed is a small German charitable organization that helps communities and health centres in the Tropics to become more self-reliant in preventing and treating the most common diseases and health complaints by utilizing and developing their own locally available resources. In this way, the poorest communities can save many lives, and health centres can become less dependent on imported medicines.
ARE NATURAL MEDICINES THE ANSWER?
Entrevista do Dr. Hans-Martin Hirt in Contact, Nº 163, 1998, p. 11-13,
http://www.wcc-coe.org/wcc/news/contact1.pdf

A utilização das Plantas Medicinais nos Trópicos
Seminário c/ Dr. Hans-Martin Hirt
Angola
4-11 Março 2007
Num dos seguintes locais:
Pousada / R. Capitão Ângelo Lima, Kuito – Bié / Tel. +244 (48) 70940
ou
Mosteiro Antigo das Monjas Trapistas, Cacilhas (Huambo)
Tel. +244 923 458 328; +244 923 366 912; Fax: +244 (41) 21 173.
E-Mail:
nsdellapace@libero.it / http://www.trappisteangola.org

Informações e Inscrições:
Dr Hans-Martin Hirt
Anamed international
Schafweide 77 - 71364 Winnenden
Germany - Tel: 49 7195 910225
Email:
anamedhmh@yahoo.de
www.anamed.org
Margarete Roth
Anamed Angola
CP 5129, Luanda AO
E-mail:
margarete@nexus.ao
http://christliche-fachkraefte.de
www.mundo-do-amor.de
www.worldagroforestrycentre.org/news/Default.asp?NewsID=%7B32C239E6-2CE6-4349-919F-E758CA15AB87%7D

1. Organização
ANAMED - Action for Natural Medicine
http://www.anamed.org

2. Experiência, Metodologia, Publicações da Anamed
2.1. Mais de 20 Cursos semelhantes realizados nos seguintes países:
Eritreia, Etiópia, Sudão, Quénia, Uganda, Malawi, Tanzânia, Moçambique, África do Sul, Congo,
República Democrática do Congo, Togo

2.2. Metodologia
A Anamed é uma pequena iniciativa cristã na Alemanha. Eles possuem uma experiência considerável na realização de seminários sobre a “medicina natural”. Estes seminários geralmente duram uma semana, com aproximadamente 30 pessoas, sendo que algumas são treinadas na prática médica moderna, tais como médicos, enfermeiros e sanitaristas básicos, e outras são curandeiros tradicionais.Para mais informação, pesquisar ANAMED em
http://tilz.tearfund.org/Portugues/

2.3. Publicações
http://tilz.tearfund.org/Portugues/Passo+a+Passo+41-50/Passo+a+Passo+48/Recursos+48.htm

3. Local do curso em Angola:
Hip. A: Pousada do Governo / Rua Capitão Ângelo Lima / Kuito (Bié) / Tel. + 244 (48) 70940 ; ou
Hip. B : Mosteiro Antigo das Monjas Trapistas, Cacilhas (Huambo)
Tel. +244 923 458 328; +244 923 366 912; Fax: +244 (41) 21 173.
E-Mail:
nsdellapace@libero.it / http://www.trappisteangola.org

4. Data: 4 a 11 de Março de 2007

5.Línguas do Curso : Inglês e Português

6. Orientador do Curso:
6.1. Nome e contacto:
Dr Hans-Martin Hirt (Anamed International)
Schafweide 77 - 71364 Winnenden [20 km NE Stuttgart / Baden-Württemberg / SE Germany]

www.worldagroforestrycentre.org/news/Default.asp?NewsID=%7B32C239E6-2CE6-4349-919F-E758CA15AB87%7D

7. Informações e Inscrições no Curso
Dr Hans-Martin Hirt (Anamed International)
Tel. +49 7195 910225 /
E-mail:
anamedhmh@yahoo.de
Margarete Roth (Anamed Angola)
CP 5129, Luanda
E-mail:
margarete@nexus.ao

(Informações fornecidas por António Melo - CCDR-N- Porto)
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Notícias Colibris e correio!

Em Espanha, existe um centro de investigação agronómica interessado nas sementes da Botle tree Moringa ovalifolia Dinter ex Berger que existe no sul de Angola. As imagens dessas moringas encontram-se no site:http://www.mobot.org/gradstudents/olson/bottlespecies.html .
Haverá alguém que possa arranjar essas sementes? Trata-se de investigar a qualidade fitoterapêutica e nutritiva dessa árvore angolana.
Temos recebido alguns e.mails. Talvez fosse interessante abrirmos uma rubrica de notícias para algumas dessas missivas onde se solicitam informações que têm a ver com a problemática da esteira do ambiente.

Assim em resposta à Neide Augusto, sobre as questões relativas à proposta de construção com a técnica de terra e dentro duma perspectiva de desenvolivmento ecologicamente sustentável, duma escola de arte, vou apenas traçar algumas susgestões:

  • Investigar, junto da Associação recentemente formada em Luanda, sobre construção de terra (e cujas informações estão na nossa esteira, graças à Ana Clara) da possibilidade de encontrar apoios para as respostas técnicas aí mesmo, em Luanda.


  • É muito importante, quando se trabalha numa perspectiva ecológica, ter muito clara a situação topológica onde o edifício se irá inserir. Esse local vai-nos fornecer as informações fundamentais, isto é, os materiais mais fáceis de encontrar e os que são mais apropriáveis em função do clima e da qualidade arquitectónica.


  • O mesmo se passa em função das áreas previstas para a edificação, que tem muito a ver com os sistemas culturais dos utentes e também, naturalmente, com os preços e disponibilidade dos terrenos.


  • Como modelo de referência de sistemas bioclimáticos posso indicar o Liceu de Caudry, em França, como uma experiência que tem merecido grande atenção na Europa. Mas é preciso levar em conta que o sistema de bioclimatização em África é diferente do da Europa. (ver: Liceu de Caudry - uma escola eco-sustentável
    Jacinto Rodrigues; Jornal "a Página" , ano 11, nº 114, Julho 2002, p. 10. - http://www.apagina.pt )


  • Vou pedir aos arquitectos Helvécio Cunha, que está em Luanda, Manuel Cerveira Pinto e Jorge Filipe do Porto, colaboradores do blog, que se disponham a cooperar com a Neide Augusto. Concretize as suas perguntas e envie-as para a esteira do ambiente.

Saudações colibris e bom trabalho!

Jacinto Rodrigues


domingo, 14 de janeiro de 2007

Os 10 Mandamentos da Água

Espero que as férias vos tenham bioregenerado e que as disposições para o trabalho na nossa esteira do ambiente prossigam com mais energia na escrita de novos materiais.

Em contacto com a Margarida Feijó obtive estes 10 mandamentos da água que aqui envio para que os nossos colibris possam orientar a sua actividade cívica nesta problemática tão premente como a água.

A Margarida Feijó está ainda interessada em actividades de produção e de transformação de um arbusto que conheceu em Timor: o Neem.
Este arbusto é muito interessante e há muitos materiais na internet. Basta clicar em planta neem para acedermos a várias informações sobre ela e sobre a sua utilização como biorepelente nomeadamente para o mosquito transmissor da malária.
Existe espontaneamente em Timor e interessa estudar se existe em Angola. Gostaríamos de obter informações sobre este assunto.
Entretanto, em contacto com amigos alemães, constatei que o Neem pode articular-se com a Artemisia Anua que é uma extraordinária planta para tratamento da própria malária.

O grupo alemão Anamed (http://www.anamed.org ) tem trabalhado em África há vários anos elaborando pequenos manuais de medicina natural, também em português, onde as plantas medicinais têm um papel decisivo. Os médicos da Anamed conjugam o uso da Moringa Oleífera com a Artemísia Annua e têm obtido bons resultados na terapia da SIDA.

Tudo isto é muito importante tanto mais que os amigos da ANAMED produzem uma farmacologia totalmente apropriável pelas populações pois os "medicamentos" resultam de sopas e chás com as folhas das referidas plantas.

A Anamed estará presente entre 4 e 11 de Março, em Angola - Kuíto (Bié) num Seminário de medicina natural nos Trópicos.

Era importante a presença de "colibris" nesse evento. A formação de "colibris" no domínio da plantação, tratamento e profilaxia deste tipo de medicina natural constitui um instrumento simples e apropriável para todos aqueles que querem lutar contra a fome e as epidemias que assolam Angola.

Pedia, em especial à Fatima Viegas, que divulgasse, junto das igrejas que ela conhece,esta iniciativa da Anamed. Também solicitava à prima Encarnação Pimenta o empenhamento cívico nesta causa.

Aqui em Portugal estou a ser ajudado pelo Professor Jorge Paiva do Jardim Botânico de Coimbra e também pelo Dr. António Melo da CCDR-N do Porto, na recolha de dados sobre Moringa, Artemísia, Neem e outras plantas, de modo a constituir um dossier susceptível de ser fornecido a todos aqueles que o solicitarem.
A Gabriela dispôs-se também a colaborar na área da Farmacologia que é a sua especialidade.

Prepara-se na Universidade da Beira Interior - Covilhã - um Seminário sobre Desenvolvimento Ecologicamente Sustentável, provavelmente em Março de 2007. Informarei atempadamente, em Fevereiro, para que o máximo de "colibris" possam estar presentes neste evento que se centra sobre África.

Jacinto Rodrigues






Os 10 mandamentos da Água




Amarás a Água como o bem mais singular do nosso belo planeta azul.

2º Não esbanjarás a Água do planeta azul em vão.

3º Respeitarás os rios e o seu curso porque eles encerram tesouros de vida, beleza e harmonia que foram confiados à tua guarda.

4º Honrarás o pai oceano e a mãe fonte porque no seu seio foste gerado.

5ºNão sonegarás aos vindouros o direito a usufruir da Água já que sem ela não poderão sobreviver.

6º Protegerás a pureza da Água não só nas palavras como nos actos.

7º Não furtarás a Água do teu vizinho pois não és dono da grande casa do mundo.

8º Não inventarás falsas desculpas, nem te refugiarás na ignorância; o conhecimento do ciclo da Água está ao teu alcance e perpetuá-lo é o teu dever.

9º Não degradarás a Água enquanto ancestral fonte de prazer e inspiração nem enquanto promessa viva de novas riquezas.

10º Não privarás os seres aquáticos que nela vivem, agindo como patrão da natureza quando és apenas um elo na sua cadeia.

Fundação Nova Cultura da Água
Novembro de 2000

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Esteira plural

Embora não tenha a capaciade do entusiasmo militante do Jacinto Rodrigues, e até tenha algumas dúvidas metódicas sobre este tipo de iniciativa, o certo é que parece querer criar-se uma dinâmica que seria pena perder-se. A minha posição sobre a "esteira" é plural: Cabem acções militantes de "transformação do mundo", mas também iniciativas analíticas e reflexivas (que ajudem a perceber o rumo dessas iniciativas) e testemunhos de diversa ordem.
É difícil resistir ao entusiasmo do "nosso moderador" e pela minha parte estou disponível para contribuir que esta iniciativa se cruze com outras.
É claro que é necessário estruturar um pouco mais estes gestos voluntaristas e caso se justifique (depende da adesão) organizaremos um encontro para partir pedra...
Digam de vossa justiça e até lá ...

Impressões de Luanda 2

Tomo algumas destas notas ainda em Luanda, numa sexta-feira pastosa que invade a cidade e de um cheiro que quase nunca é bom, mas podemos imaginar como poderia ser florido e fresco, sobretudo à noite

Noite, como muitas vezes falta a luz àquela hora. Arrancam os geradores num barulho que sufoca o ar. Quantos geradores estão trabalhar esta noite e a queimar não sei quantas toneladas de combustível? O que pensam os países viciados numa economia de guerra, alimentada pelo petróleo?

Impera o desperdício: da água que enche tanques e vaza, dos milhares de carros lavados todas as manhas, dos ares que nunca se desligam, das luzes que nunca se apagam.

Consta que ¾ população vive com 15/20 litros de água por dia, numa correria entre bidons amarelos e o processo 500. Para quantos pneus chegam 15 litros?

Claro que o mundo não é só injusto em Luanda, mas tudo se torna mais insuportável quando o confronto é a mais descarada opulência, mal formada, e a exibição atrevida da vacuidade num clima de orgia permanente. Mesmo que antes seja necessário atravessar o inferno pestilento da Samba até chegar ao embarcadouro.

Hoje finalmente faltou água em casa, os tanques esvaziaram sem que se soubesse que há dias faltava na cidade. Como se sabe em Luanda não fica bem ver a TPA e por enquanto as TVs brasileiras e a “SIC 10 horas” ainda não dão notícias sobre a falta de água em Luanda. É uma azáfama e uma fonte de receita para a casa da esquina que tem um poço.

Luanda surge como um imenso bairro de lata intercalada por pequenos oásis e por um subúrbio novo, rico, fechado e árido que foge para sul. Choveu e as inundações sobressaem. Estradas que são lagos de chuva, lixo e esgotos.

Fervilha uma actividade construtiva e de serviços, de negócios e de oportunidades. Chineses, brasileiros, portugueses, indianos e claro angolanos antigos e recentes. Uma ponte, uma escola, duas fábricas e três estruturas metálicas. Ganha quem tem mais força? quem chega primeiro? quem conhece melhor os meandros da “gasosa”? Ganham, para já, todos... incluindo-se naturalmente os luandenses que podem, pelo menos, deslumbrar-se com os primeiros sobressaltos de uma sociedade de consumo e respirar um ambiente menos claustrofóbico.

A nova moda e ícone de sucesso é a segurança privada, a esturricar sentados em cadeiras de plástico e a fazer candonga com o estacionamento. Parece que a eficácia em termos de segurança é duvidosa. Por vezes estão feitos com os bandidos ou são os primeiros a ser amarrados e a levar umas chapadas

Em Luanda como se sabe há muitos “Jeeps” grandes, mas encontrei um que exibia um grande ícone revolucionário e vi rituais que engasgam o mais passivo dos seres. O nosso revolucionário, o do Jeep, atravessa em pontas o charco que envolve a viatura após a barrela matinal e num saltinho pesado atinge o assento, as pernas ficam bamboleantes à espera....que o “moço” que lava o carro lhe limpe as solas!

Felizmente Luanda não é só isto. Há o Minho do meu avô africano, lá onde se reinventa o Kwanza, ritmos que caiem sobre rios de liberdade, a Barra do Dande e gente que ama e estuda o deserto.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Reunião de Colibris na despedida de Luanda






Ainda temos o coração "dorido de saudades" por termos deixado esta cidade de Luanda e os nossos amigos Colibris!
Graças ao Álvaro Pereira, com quem estivemos no dia de Natal, obtivemos estas fotos que são uma pálida imagem do encontro fraterno que tivemos pouco antes da nossa viagem migratória de colibris viajantes à roda do mundo.
Voltamos a conversar sobre vários projectos que cogitamos aqui no Convento de S. Paio, em Vila Nova de Cerveira, onde estivemos reunidos a relembrar os colibris de Luanda.
Então, fizeram-se projectos, delinearam-se sonhos e imaginaram-se utopias realizáveis.
O Álvaro sugeria que passássemos de blog para um site com mais informação e visibilidade social.
Defendo a ideia de estruturarmos melhor o grupo para futuras intervenções. A minha preocupação essencial seria a de criarmos uma "mucanda" para que esta "esteira" que iniciámos se tornasse numa escola de vida, com agentes de ecodesenvolvimento que interviessem de forma pedagógica e social na construção de experiências exemplares.
Vou dar um exemplo:
Participar na formação de uma ecoaldeia, comunidade agro-ecológica sustentável e apoiada em tecnologias apropriáveis e energias renováveis.
Esta ecoaldeia poderá surgir como resultado de uma formação prática no interior de Angola com a população e para a população, integrado num projecto federativo interuniversitário, com iniciativas de múltiplos sujeitos implicados na mudança social (estado, poder local, igreja, ongs, sociedade civil, etc.).
Para discutir estes temas teremos que participar todos nesta nossa esteira. Só assim poderemos consolidar estratégia e encontrar a logística adaptada para a realização dos nossos sonhos.
Nota: Continuamos a trabalhar nas moringas oleíferas. Neste momento o Ignácio e o Jaquim, nossos amigos da Galiza, estão a ocupar-se do viveiro. Em breve teremos mais sementes dos Açores e do Brasil. Veremos como organizar a plantação de moringas no futuro!!

Votos de um ano 2007 cheio de esperança colibri!

Jacinto Rodrigues



quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

Carta da Terra

A CARTA DA TERRA
PREÂMBULO
Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.
Terra, Nosso Lar
A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.
A Situação Global
Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécies. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento não estão sendo divididos equitativamente e o fosso entre ricos e pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.
Desafios Para o Futuro
A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da vida. São necessárias mudanças fundamentais dos nossos valores, instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.
Responsabilidade Universal
Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentido de responsabilidade universal, identificando-nos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local.
Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a dimensão local e global estão ligadas. Cada um compartilha da responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humada e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relaçao ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.
Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente. Portanto, juntos na esperança, afirmamos os seguintes princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.
PRINCÍPIOS
I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA
1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.
a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida tem valor, independentemente de sua utilidade para os seres humanos.
b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.
2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.
a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.
b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.
3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas.
a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.
b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.
4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações.
a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.
b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, a longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.
Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessario:
II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA
5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.
a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.
b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.
c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.
d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente, e prevenir a introdução desses organismos daninhos.
e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de formas que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.
f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão e não causem dano ambiental grave.
6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.
a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.
b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.
c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas consequências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.
d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.
e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.
7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.
a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.
b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e do vento.
c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.
d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar produtos que satisfaçam as mais altas normas sociais e ambientais.
e. Garantir acesso universal a assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.
f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.
8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca aberta e a ampla aplicação do conhecimento adquirido.
a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.
b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.
c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam disponíveis ao domínio público.
III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA
9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.
a .Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.
b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança coletiva a todos aqueles que não são capazes de manter-se por conta própria.
c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.
10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimeto humano de forma eqüitativa e sustentável.
a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.
b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.
c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.
d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas atividades.
11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência desaúde e às oportunidades econômicas.
a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.
b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.
c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.
12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.
a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.
b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.
c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis.
d. Proteger e restaurar lugares notáveis pelo significado cultural e espiritual.
IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ
13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis e proporcionar-lhes transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.
a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.
b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações na tomada de decisões.
c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.
d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.
e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.
f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus própios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.
14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, os conhecimentos, valores e habilidades necessárias para um modo de vida sustentável.
a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.
b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.
c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido de aumentar a sensibilização para os desafios ecológicos e sociais.
d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.
15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.
a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de desofrimentos.
b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca que causem sofrimento extremo, prolongado ou evitável.
c.Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.
16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.
a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.
b. Implementar estratégias amplas para prevenir conflitos violentos e usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.
c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.
d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.
e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.
f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas consigo mesmo, com outras pessoas, outras culturas, outras vidas, com a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.
O CAMINHO ADIANTE
Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um novo começo. Tal renovação é a promessa dos princípios da Carta da Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.
Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão. Devemos aprofundar e expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.
A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo. Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa. A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.
Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas obrigações respeitando os acordos internacionais existentes e apoiar a implementação dos princípios da Carta da Terra com um instrumento internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.
Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.
Antes, peço desculpas, pois só agora venho a dizer algo, embora tenha sido muito agradável, provocativo, intelectualmente estimulante, o nosso encontro, por ocasião do IX Congresso, em Luanda, lugar desconcertante, ainda assim, e por isso mesmo (por quê, não?) extremamente atraente em seus desafios, que são os desafios da assim chamada periferia do mundo. De tão ampliada, de tão presente, os desafios socioambientais da periferia paradoxalmente estão no centro do mundo tal a compressão do tempo-espaço que se conseguiu realizar em meio século.
A metáfora da esteira é, de fato, um símbolo das mais representativos da atitude mental e prática que temos de cultivar, revalorizar, difundir, se estamos dispostos a contribuir para a construção de possibilidades nas quais a Terra continue nos aceitando entre as formas de vida que a constituem. E é justamente a tal atitude que gostaria de relacionar a importância da sociedade civil organizada, em movimentos e instituições como as ONGs, assim referidas a partir de fins dos anos 40. Não vejo, de acordo com minha parca capacidade de compreensão sociológica, como prescindirmos desse tipo de iniciativa, observando-se suas ações a partir da Amazônia Brasileira, lugar onde hoje habitam muitas dessas organizações, entre as quais já podemos encontrar verdadeiras agências de pesquisa e consultoria, gerindo um considerável orçamento, cujos recursos são captados em boa medida junto ao Estado. Passados pelo menos 15 anos da explosão dessas iniciativas estimulada pelos apelos salvacionistas da biodiversidade, as ONGs que têm se destacado neste conjunto são aquelas cuja organização é empresarial e os seus quadros não se confundem absolutamente com militantes, desprovidos de compromisso com lucro.
Nosso tecido institucional continua ainda frágil, embora tenhamos nos empenhado nos últimos vinte e cinco anos pelo fortalecimento da democracia e do regime republicano. Não temos uma sociedade política que contenha a sociedade civil em sua diversidade de propósitos. Nessas circunstâncias, a criação e a atuação das ONGs, especialmente as ambientalistas, precisam primar pela prática comprometida com outro modo de vida, ao mesmo tempo tendo, que, para sobreviver no campo, fazer concessões, agir conforme preceitua os ditames advindos de uma lógica econômica individualista (disputa pelo financiamento dos projetos), insaciável, cujo (des)propósito é servir à Deusa Acumulação. Reféns, dessa orientação, as ONGs podem apenas está realizando uma ação que em nada contribua para o enfrentamento das engrenagens morais, políticas, econômicas e sociais que nos envolvem. Podem, inclusive, apenas contribuir para a próxima metamorfose do Capitalismo, que, segundo Boltanski, em seu terceiro espírito (cité por projetos) já se encontra. Para que nossas ações e mentes, ainda de acordo com o autor citado, interajam por uma efetiva mudança a crítica continua oportuna, apesar do quão contribuíram para a renovação do Capitalismo. Por uma crítica artista (cultural) e socioambiental, o que pressupõe o diálogo, a negociação, mas nem tanta concessão assim, continuo crendo no papel eficaz que as ONGs podem desempenhar nesse movimento por um outro mundo possível.
Registro aqui, portanto, algumas referências que considero importantes(não como manuais, mas como boas para pensar) para nossa caminhada.
A Arrogância do Humanismo (Ehrenfeld, D). A Corrosão do Caráter (Sennett, R). O Terceiro Espírito do Capitalismo (Boltanski, L e Chiapello, E), Desenvolvimento como Liberdade (Sen, A). O Homem e o Mundo Natural (Thomas, K).
Em anexo envio uma cópia da Carta da Terra. Ela contém o espírito da esteira, que deve ser o do resgate, ou da invenção de condições para que a vida humana, mas não só, tenha direitos à construção de narrativas pessoais marcadas pela convivialidade, o respeito, a capacidade de ouvir.
Deixo aqui o meu sincero abraço a todos aconchegados nesta esteira dispostos a assumir o potencial Colibri e a plantar Moringas. Após as Festas, de volta do Semi-árido nordestino às ainda abundantes águas amazônicas, falarei com todos novamente.

Maria José Aquino

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

SADC Land and Water Management Applied Research and Training Programme - 2nd Scientific Symposium


ANNOUNCEMENT AND CALL FOR PAPERS

SADC LAND AND WATER MANAGEMENT APPLIED RESEARCH AND TRAINING PROGRAMME

2nd SCIENTIFIC SYMPOSIUM

Tentative Venue: Kasane, Botswana
Tentative Dates: 14 – 17 February, 2007

THEME
“OPPORTUNITIES TO INCREASING WATER USE AND WATER USE EFFICIENCY IN AGRICULTURE IN SEMI-ARID AND ARID AREAS OF THE SADC REGION”

Sub-Themes

Sub-Theme 1: Policy and institutional aspects affecting agricultural water use

Sub-Theme 2: Legislation and regulations guiding common water resources use and management

Sub-Theme 3: Utilisation of available technologies to ensure environmental sustainability especially in rangelands

Sub-Theme 4: Land management and crop selection

Sub-Theme 5: Socio-cultural and marketing issues in increased water use

Deadline for Submission of Full Papers

The deadline for submission of full papers is set at 30 November 2006. Other arrangements and logistics will be communicated in due course.

Symposium Contacts

The Programme Coordinator and/or
The Regional Research & Training Officer
SADC & Water Management Applied Research Programme
C/O SADC Secretariat,
Pvt Bag 0095
Content Farm
Sebele
GABORONE
Botswana
E.mail: CNhira@sadc.int or Amapiki@sadc.int

Tel: (267) 72197668 or (267) 717 819 31

Schedule of Submission of Papers

1 September 2006 latest: Announcement and Call for papers
30 November 2006: Deadline for submission of full papers
14 – 17 February 2007: Hosting symposium

Post Scriptum: sugiro visita a www.sadc.int e a sardc.net, onde se encontra diversa documentação sobre recursos naturais

Decálogo da Ecologia

A ecologia é um nível superior de pensamento, onde tudo está relacionado com tudo, inclusive com as soluções. Como ciência do inter-relacionamento homem/natureza, ela não pode ser vista apenas como o estudo do meio físico, pois de suas pesquisas e análises depende a compreensão da harmonia entre o homem e o ambiente.

1. Ama a natureza, fonte de vida, honrando-a com dignidade, em todas as suas manifestações
2. Defende o solo onde vives, mas também aquele das demais criaturas
3. Proteje a vida dos animais, consentindo no seu abate somente para suprir as necessidades alimentares
4. Condena a produção que favorece unicamente o produtor, em detrimento da satisfação das necessidades do consumidor
5. Condena a agricultura irracional, predatória, contaminante, que tanto "sustenta" como elimina vidas
6. Não consumas alimentos suspeitos de incluirem componentes nocivos
7. Não compartilhes do modismo vulgar de que "desenvolvimento & progresso" do actual modelo socio-económico justificam tecnologias alienantes ou destrutivas
8. Denuncia todos os crimes contra a Ecologia
9. Analisa racionalmente o comportamento humano com relação ao avanço da tecnologia, bem como os referemtes aos actuais clichês políticos; indaga, pesquisa, reflete, contesta, procura esclarecer-te à luz da ciência e da ética sobre todos os actos da existência, sem escravizares-te a modismos, conceitos e convenções.
10. Liberta a tua mente e não aumentes as fileiras de acomodados mentais ou de servos da hipocrisia, pois outros podem tirar proveito do teu ideal.

Fonte: AME - Fundação Mundial de Ecologia http://www.ecologia.org.br
(Via blogue "Points of Light", a quem agradecemos)
 
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